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25 de setembro de 2013

Sensores sem filtro

   A fotografia digital está em constante evolução, vem sofrendo várias metamorfoses ao longo dos anos e as pesquisas de desenvolvimento de novas tecnologias estão a todo vapor. As fabricantes seguem uma incessante busca por novidades, para arrebanhar 1% que seja dos usuários daquela concorrente e há um ditado que diz "nada se cria, tudo se copia". Até o que a gente considera novidade é inspirado em algo que já foi usado há um tempo atrás e agora foi melhorado. E os sensores não poderiam ficar de fora dessa busca por evolução, a "moda" agora é retirar filtros normalmente usados neles. Vamos ver o que as fabricantes tem oferecido a nós (ou tirado de nós):
Nikon D7100 é outra câmera a abir mão do filtro passa-baixas
   Acredito que nunca se ouviu falar tanto em moiré, anti-aliasing e filtro low-pass (chamado por alguns de passa-baixas). Este artigo na Wikipedia explica de forma bem básica o que é o moiré, uma espécie de serrilhamento que se forma em linhas diagonais, e um filtro é inserido nos sensores para eliminar ou reduzir este efeito. Este filtro é o AA (anti-aliasing) ou OLPF (optical low-pass filter) mas tudo tem seu preço, ele reduz de forma bem sutil a nitidez e resolução de imagens a fim de que estas linhas diagonais fiquem essencialmente retas. O que Nikon e Fuji fizeram recentemente foi criarem alternativas para que se ganhe de volta esta "nitidez perdida" e cada uma seguiu um caminho diferente, e acredito que ambas com sucesso. 
Fuji X-E1 é uma das mirrorless Fuji a contar com o sensor X-Trans
   A Nikon lançou simultaneamente as reflex D800 e D800E que são idênticas, a não ser pelo fato de a segunda não possuir o tão falado OLPF. O filtro não foi totalmente eliminado do sensor da D800E, mas o efeito anti-aliasing foi quase todo removido e a Nikon chama isso de "definição absoluta" para quem procura imagens mais nítidas possíveis. Os maiores interessados nisso seriam os fotógrafos de médio formato pois estas câmeras já não possuem este filtro e como a resolução da D800E é de 36.6 megapixels, uma resolução condizente com o médio formato, estes profissionais poderiam optar por uma câmera muito mais barata e com um corpo bem menor.
Esquemas dos filtros passa-baixas da D800 e da D800E
   A Fuji desenvolveu um sensor inteiramente novo, o X-Trans, que possui uma matriz diferente do padrão Bayer encontrado nos sensores convencionais, este sensor rearranja os pixels R, G e B de forma que o moiré é totalmente eliminado do sensor. O sensor Bayer agrupa os pixels em um conjunto 2x2 com 2 pixels G, 1 R e 1B de forma que em algumas linhas não hajam pixels R e em outras não hajam pixels B. Mo sensor X-Trans os pixels estão agrupados em um conjunto 6x6, desta forma há pixels R, G e B em todas as linhas e isso inibe a formação de cores falsas e do temível moiré. Este sensor X-Trans está presente nas mirrorless X-Pro1, X-E1 e X-M1.
Esquemas dos sensores tradicional (à esquerda) e X-Trans
   A grande verdade é que estas melhorias só são percebidas, na maioria das vezes, em grandes ampliações e apenas usuários avançados necessitam disto que a Nikon chamou de definição absoluta. Mas o mercado se abre para aqueles que estão em busca da imagem perfeita e não há nada de mal nisso, o mundo da fotografia agradece.

Fonte: Revista Digital Photographer Brasil nº 26

8 de julho de 2013

Profundidade de campo e fator de corte

   Muitas das pessoas que procuram o blog para comprar a primeira câmera sentem-se fascinadas pelo fundo desfocado e procuram um equipamento que lhes permita fazer isso, só que a tarefa não é tão simples assim e um dos itens que precisa ser verificado é o tamanho do sensor: quanto maior ele for, mais fácil fica o desfoque. Câmeras reflex e algumas compactas premium (as que possuem os maiores sensores) fazem essas fotos com desfoque de fundo bem mais facilmente.
Ford Sedan Delivery 1940
Foto feita com uma câmera reflex
   Normalmente as compactas de bolso e as superzoom possuem sensores bastante pequenos que só permitem o desfoque de duas maneiras, uma é simplesmente usando a função macro para fotografar pequenos objetos próximos à lente e a outra é usando bastante zoom (se for uma câmera que permita isso) e o motivo a ser fotografado tem que estar bastante afastado do fundo. Mas ainda tem algo que pode ajudar e muito nesse desfoque que é a abertura do diafragma. Quanto maior a abertura usada, a profundidade de campo fica mais rasa e o fundo fica mais desfocado.
Chevelle SS Wagon 1970
Foto feita com uma compacta em condições semelhantes à anterior
   Hoje em dia, temos uma superzoom como a Panasonic FZ200 com abertura constante f/2.8, algumas compactas premium com lentes bem claras como a Panasonic LX7 e a Samsung EX2F com abertura f/1.4,  e outras compactas com sensores ainda maiores que essas com aberturas variando entre f/2.0 e f/2.8, mas quais delas oferecem o maior desfoque de fundo? As com abertura f/1.4, pois são as lentes mais claras, seriam a resposta imediata mas lembrem-se do início da postagem em que comentei sobre o tamanho do sensor, ele deve ser levado em consideração nesta conta.
A Samsung EX2F é uma das compactas com a maior abertura atualmente disponível
   O fator de corte, conhecido cálculo usado para determinar a distância focal equivalente das objetivas usadas nas câmeras reflex com sensor APS-C, também deve ser aplicado na abertura para sabermos qual é a abertura equivalente em 35mm, o tamanho do sensor Full-frame. Abaixo, alguns exemplos com as informações de abertura, tamanho do sensor, fator de corte e abertura equivalente de alguns modelos:
  • Panasonic FZ200 f/2.8 (1/2.3 de polegada = fator de corte 5.62): abertura equivalente f/15.7
  • Samsung EX2F f/1.4-2.7 (1/1.7 de polegada = fator de corte 4.6): abertura equivalente f/6.4-12.4
  • Fuji X20 f/2.0-2.9 (2/3 de polegada = fator de corte 3.93): abertura equivalente f/7.9-11
  • Sony RX100 f/1.8-4.9 (1 polegada = fator de corte 2.73): abertura equivalente f/4.9-13.4
  • Canon G1x f/2.8-5.8 (1.5 polegada = fator de corte 1.85): abertura equivalente f/5.2-10.7
  • Leica X Vario f/3.5-6.4 (APS-C = fator de corte 1.53): abertura equivalente f/5.4-9.8
 
Leica X Vario é a compacta com objetiva zoom que possui o maior sensor
   Temos acima 6 câmeras compactas com objetivas zoom e 6 tamanhos diferentes de sensores. Reparem que, curiosamente, multiplicando a abertura com o fator de corte, nem a câmera que possui a maior abertura (Samsung EX2F) e nem a câmera com o maior sensor (Leica X Vario) é a câmera com a maior abertura equivalente, a que possui a maior possibilidade real de desfoque de fundo. Essa câmera é a Sony RX100 que possui a abertura máxima de f/1.8, ou seja, o equivalente a uma objetiva f/4.9 em uma câmera Full Frame. Ou também o equivalente a uma objetiva com abertura de aproximadamente f/3.3 em uma câmera reflex APS-C, para efeito de comparação.
Sony RX100 é a compacta com objetiva zoom que possui a maior abertura equivalente em 35mm
   Vale lembrar que a Sony RX1 e sua sucessora Sony RX1R possuem sensor Full-frame e por isso não há cálculo a ser feito para a abertura de sua lente, é f/2.0 e fim de papo. Importante saberem que esse cálculo é apenas para determinar o nível de desfoque de fundo, a "clareza" da lente não muda em nada, a quantidade de luz que entra em uma objetiva f/1.4 em compacta é a mesma que entra em uma objetiva f/1.4 em uma Full-frame. O site usado para ter acesso ao fator de corte de cada sensor foi o DigicamDB.

30 de maio de 2011

Densidade de megapixels

   Nunca respondi tantas vezes a mesma pergunta como aconteceu na semana passada: Se a câmera gera fotos com muito ruído por ter uma resolução muito alta, eu posso resolver isso diminuindo a resolução? A resposta é NÃO, infelizmente. Pois, se fosse assim, em vez de um problema teríamos uma câmera perfeita para várias situações: Eu poderia usar a resolução máxima dela quando precisasse fazer uma grande impressão ou revelação e ao mesmo tempo poderia usar as resoluções mais baixas quando quisesse ter imagens com maior qualidade. E, nesse caso, eu não insistiria tanto em defender as câmeras de resoluções mais baixas, ficaria algo sem sentido.
   Panasonic FZ100 possui sensor de 1/2.3" ou 0.28cm²

   E por que não se resolve o problema? Porque todas as câmeras fazem suas fotos na resolução máxima ou, simplesmente na sua resolução: Se uma câmera possui resolução de 4MP, suas fotos serão feitas em 4MP e processadas para o tamanho desejado ao se escolher uma resolução menor. O mesmo acontece numa câmera de 10MP, de 16MP ou de 60MP excetuando-se as câmeras Sigma que usam o sensor Foveon. Outra coisa que precisa ficar definitivamente explicada aqui: Resolução é apenas o tamanho da foto, não tem relação alguma com qualidade de imagem.
 Canon S90 (e sua sucessora S95) possui sensor de 1/1.7" ou 0.43cm²

   Mas, e a tal densidade de megapixels no título da postagem? O que quer dizer isso? As compactas possuem sensores minúsculos de 0.28cm² e a resolução já chega à casa de 16MP. O espaço para caber estes pixels é muito apertado, muito pequeno e é preciso muita luz para "iluminar" estes pixels apertadinhos entre eles, daí vem o irritante ruído. As compactas de sensor maior como Canon G12 e Panasonic LX5 que medem 0.43cm² possuem 10MP de resolução, ou seja, tanto o maior tamanho do sensor quanto a menor resolução contribuem para uma qualidade de imagem infinitamente superior, necessitando de menos luz para gerar uma boa imagem.
 Fuji X100 possui sensor APS-C de 3.72cm² e além de tudo é linda

   E as reflex? Por que dizemos que elas conseguem ótimos resultados mesmo usando ISO 1600, por exemplo? Por causa da baixíssima densidade de megapixels pois seus sensores são muito grandes, enormes em comparação com os sensores de compactas. Os sensores APS-C medem cerca de 3.72cm², vejam a diferença para os sensores das compactas! Então, hoje já temos as Canon com 18MP que podem perfeitamente fazer belas fotos com baixo ruído usando ISO bem alto.

28 de fevereiro de 2011

Sensores e suas variações

   Tudo o que deveria ter sido falado sobre sensores já está por aí na grande rede e o Foto Fácil humildemente vai ser apenas mais uma fonte de pesquisa. Difícil é encontrar uma figura que representa os tamanhos de todos os sensores usados atualmente, todos que encontrei sempre faltava algum mas o que eu postei considero o mais completo.
 Exemplo de sensor CCD

   Há dois tipos básicos de sensores, o CMOS e o CCD. O primeiro por teoricamente funcionar melhor em situações de maior luminosidade e ter alguma deficiência em situações de baixa luminosidade é usado em larga escala nas câmeras reflex ou DSLR já que custa mais barato e pelo seu tamanho avantajado nas DSLR consegue suprir com certa facilidade essa deficiência. Nas compactas, desde 2008 com a Canon SX1 estamos começando uma nova era com seus sensores CMOS com componente retroiluminado que tenta suprir tal deficiência mas ainda sem grande sucesso.
 Sensor CMOS "Full frame" da Sony

   Por isso, nas compactas quase sempre se usou o CCD que teoricamente se comporta melhor em baixa luz mas tem leve tendência a "estourar" as fotos em que há muita luz. Isso seria facilmente corrigido com os controles manuais mas hoje em dia as opções com estes controles é um pouco reduzida, apenas a Canon possui câmeras de baixo custo com estes comandos.
 Revolucionário sensor Foveon da Sigma

   Além dessa questão da luminosidade, ainda há as outras vantagens que o sensor CMOS nos traz que são os modos contínuos super rápidos, que na Panasonic FZ100 chegam a 13fps na sua resolução mais alta, enquanto que na mais baixa pode se chegar até a incríveis 60fps; os vídeos Full HD até bem pouco tempo eram vistos apenas nas cameras equipadas com CMOS, quem quebrou essa exclusividade foi a Panasonic que este ano fez câmeras com sensor CCD (inclusive a TS3 à prova d'água) com vídeos em resolução de 1920x1080 pixels.
 Pentax 645 foi a primeira câmera de médio formato lançada esse ano

   Mas a maior questão envolve o tamanho dos sensores e a qualidade da imagem gerada por eles é totalmente proporcional ao seu tamanho. Nesse caso, tamanho é documento e quanto maior o sensor, maior a qualidade das fotos. Daí o abismo entre as compactas incluindo as superzoom, e as reflex e isso pode ser medido na figura abaixo:
Tabela com os tamanhos dos sensores atuais

Sensores 1/2.5 - Usados em algumas compactas até 2009 como Canon SX120, Nikon L19, Kodak C140, Panasonic ZS1 e Samsung PL10. Parece que está morto e enterrado.

Sensores 1/2.4 - É o tamanho do sensor CMOS da Sony nas câmeras de 2009 e 2010 como HX1, HX5 e TX5. Também parece ter sido descontinuado.

Sensores 1/2.3 - Padrão das atuais compactas, usado em todas elas, fora as exceções citadas acima e as que citarei abaixo. Há uma pequena variação que é o 1/2.33 mas com uma diferença de apenas 1mm tanto na altura quanto na largura.

Sensores 1/2 - Não está na figura acima mas é o tamanho do sensor que equipa as câmeras EXR da Fuji desde 2010. Até 2009 ele media 1/1.6.

Sensores 1/1.7 - Agora entramos no tamanho dos sensores que equipam as melhores compactas que existem. Pode ser encontrado na Nikon P7000, Samsung EX1, Canon G12 e S95.

Sensores 1/1.63 - Ligeiramente maior que o citado acima, é desenvolvido em conjunto por Leica, Panasonic e Olympus e é encontrado apenas nas câmeras Panasonic LX3 e LX5 e Olympus XZ1.

Sensores 4/3 - Desenvolvido pelas mesmas 3 fabricantes acima e usado nos sistemas 4/3 e Micro 4/3 de lentes intercambiáveis e sem espelho, PEN da Olympus e G da Panasonic. Também equipa as reflex Olympus.

Foveon - Sensor revolucionário (e provavelmente o melhor do mundo) que equipa as câmeras da Sigma, como a DP2 que foi citada no quadro e possui fator de corte de 1.7x. Leia mais sobre o Foveon aqui.

Sensores APS-C 1.6x - Sensor que equipa a maioria das reflex Canon.

Sensores APS-C 1.5x - Sensor que equipa a maioria das reflex Nikon, Sony e Pentax.

Sensores APS-C 1.3x - Sensor que equipa as reflex Canon da série 1D. Também não está no quadro acima.

Sensores "Full-Frame" - São os que possuem o mesmo tamanho do fotograma de 35mm das antigas câmeras amadoras de filme. Presente nas séries 1Ds e 5D da Canon, série D3 e D700 da Nikon e Sony A850 e A900.
 Canon 1D Mark IV é uma das poucas com APS-C de crop 1.3x

   Ainda há os sensores das câmeras de médio e grande formato que são bem maiores que os 35mm e a Sony recentemente resolveu "ressuscitar" o minúsculo sensor de 1/3 na S3000 que havia sido usado pela última vez em 2007 pela Canon e espero que isso não se torne uma tendência.
   A postagem está bem superficial e gostaria que os colegas complementassem se encontrarem qualquer informação relacionada ao assunto.

   Postagem sugerida pela Helena, moderadora da comunidade Fotografia Digital Brasil no Orkut.

3 de agosto de 2010

Sigma e sensor Foveon

   A Sigma é mais conhecida aqui no Brasil por suas lentes para as DSLR Nikon e Canon mas no exterior ela é conhecida por fabricar um sensor CMOS que é diferente de tudo que se vê por aí, é o Foveon X3 e esse sensor é usado apenas nas compactas com lentes de 28 e 41mm e nas DSLR da própria Sigma.
 Sigma DP1, uma de suas compactas

   O sistema de funcionamento desse sensor é totalmente diferente dos outros que vemos por aí, a grosso modo é como se ele tivesse uma camada diferente para cada uma das cores RGB (vermelho, verde e azul) e depois formasse a imagem com muito mais contraste, muito mais nitidez e uma fidelidade inigualável de cores. É provavelmente o melhor sensor de imagem do mundo.
    Conhecem a Sigma 200-500? Não? Conhecerão melhor aí embaixo...

   Daí vem a pergunta que não quer calar: Se esse é o melhor sensor do mundo, porque as outras empresas não fazem igual? Porque devido a esse sistema diferente, a resolução sempre será baixa e vamos usar o exemplo da Sigma SD15, o último modelo DSLR lançado pela Sigma. Seu sensor de 20.7 x 13.8 mm (2.85cm²), semelhante a um APS-C que vemos nas DSLR de entrada mais conhecidas, capta 14.1 megapixels porém ele usa 1/3 dessa capacidade para cada cor e depois as junta formando uma resolução máxima de 4.7 megapixels.

   
 Vai um tripé aí, irmão?

   Isso vai de encontro à guerra dos megapixels promovida pelas gigantes da fotografia (no caso das compactas) pois imgine oferecer uma câmera hoje em dia de 4.7MP custando mesmo que uma de 14MP? Ao grande público, qual será mais interessante? Ninguém compraria a de resolução menor mas não é só isso, aos que usam DSLR e entendem mais do assunto, a baixa resolução implicaria em outro problema: As impressões das fotos. 4.7MP não é uma resolução que permite grandes impressões e isso prejudicaria muitos profissionais, se tornando inviável seu uso.

   Essa é a SD14, DSLR lançada em 2007 e antecessora da SD15 lançada este ano

   Mas...para pessoas como eu, que tem a fotografia mais como hobby do que como trabalho e preza pela qualidade de imagem, não é mais uma opção tentadora? E pra vocês, o que acham? Vamos debater este assunto. E só pra constar, nos EUA essa SD15 sai por cerca de 1.000 doletas apenas o corpo...

   Postagem sugerida pelo colega Lucas Nogueira

7 de abril de 2010

Sensor CCD x Sensor CMOS

   Recentemente afirmei aqui no blog que o sensor CMOS é melhor que o CCD mas isso não é 100% verdade. O que acontece é que o CMOS, muito comum nas câmeras reflex (ou DSLR), apresenta resultados muito satisfatórios nestas câmeras pois são bem grandes e refletem com mais fidelidade o que vemos através das lentes. Já o CCD que é mais usado nas compactas possui um tamanho muito reduzido e tenta simular o que o CMOS faz mas não dá pra querer que um dispositivo 5 vezes menor consiga os mesmos resultados.

   A partir de 2008 começaram as primeiras experiências com sensor CMOS em compactas, mais especificamente com a Canon SX1, uma compacta superzoom de 10 megapixels e a primeira com vídeos em full HD. A princípio ela me agradou bastante, possui uma fidelidade de cores interessante e se comporta de uma forma diferente em relação a luminosidade local comparando com as câmeras que usam CCD; ela capta muito bem as cores em condições precárias de iluminação porém muita gente começou a reclamar dizendo exatamente o contrário, foi aí que descobri o que era...
Sony HX1 e Canon SX1: As duas primeiras compactas com sensor CMOS

   A SX1 NÃO é uma câmera pra ser usada no modo automático, principalmente à noite pois o ruído é muito alto e a Canon tradicionalmente fica atrás das concorrentes quando se trata de ISO de 400 pra cima. Resumindo, a Canon SX1 que tecnicamente deveria ser a melhor superzoom do mercado precisa e muito de um bom fotógrafo que consiga fazer boas fotos "na raça" pra fazer jus ao posto de melhor câmera mas se torna uma câmera comum quando usada no modo automático.

   Acho um pouco exageradas as críticas mas elas realmente tem que existir já que foi a primeira experiência da Canon com esse tipo de sensor em compactas e há muito o que evoluir ainda. Acredito que a qualidade virá muito maior numa eventual sucessora da SX1, garanto que virá uma super câmera por aí já que o ano de 2009 passou em branco, apenas a SX10 teve uma sucessora.
A Nikon P100 é a mais nova opção de compacta com sensor CMOS
   Na minha opinião, ela ainda é a melhor superzoom mas com a Sony HX1 e a Panasonic FZ35 ao seu lado que ainda usa sensor CCD; a Panasonic é a única das "grandes" que ainda não fez compactas com CMOS. A minha dica é a seguinte: Só compre compacta com sensor CMOS se for um usuário avançado, se for pra usar no automático pegue as que usam CCD.

   Já chegou ao Brasil a Nikon P100 que já teve uma postagem dedicada a ela aqui e me parece tecnicamente que tem tudo pra se tornar a melhor superzoom do mercado, resta saber como se comportará o CMOS da Nikon e por falar em Nikon, pretendo abrir espaço para as câmeras DSLR aqui no blog em breve pois há muita coisa sendo falada sobre as D3000 e D5000 e quero dar minha opinião sobre elas que curiosamente são as DSLR que usam sensor CCD seguindo o caminho contrário das superzoom.

31 de janeiro de 2010

Ajudando a escolher a melhor câmera

   Como eu já disse antes, não existe "a melhor câmera" e sim aquela que se adequa melhor às suas necessidades, algumas marcas priorizam alguns itens que não são tão bons em outras marcas e por causa disso, se você acha que fotografia é uma arte, escolher a sua câmera também é uma arte. Êta coisinha difícil...

   Esse tema já foi abordado antes mas vou tentar me aprofundar mais e fazer um breve resumo do que já foi dito aqui:
   Procure por marcas tradicionais, aquelas que sempre tiveram seus nomes associados a fotografia, são fabricantes de lentes e por isso a qualidade delas é mais do que garantida, como por exemplo: Nikon, Canon, Leica e Olympus. Como no Brasil não se vê câmeras Leica sendo vendidas, esta atende pelo nome de Panasonic por aqui mas atente ao fato de que nem todas as Panasonic usam lentes Leica.

 
FH20: A Casio também está no mercado da fotografia e já fabricou uma excelente câmera

   Feito isso, é preciso saber se você procura por câmeras automáticas em que você aponta e dispara sem necessidade de maiores ajustes, ou por câmeras mais avançadas com controles manuais em que você decide a abertura, tempo de exposição e outras coisinhas antes de dar o seu clique. Há uma infinidade de boas câmeras automáticas por aí e infelizmente é cada vez menor o número de bons modelos com controles manuais entre as compactas.

   Tamanho do sensor

   Junto a lente, o sensor é o que tem de mais importante na hora de escolher uma câmera principalmente se for uma com controles manuais. Nas compactas nem se comparam aos sensores das DSLR que são muito maiores, daí vem a melhor qualidade. Quanto maior o sensor, melhor sua câmera será e vou mostrar aqui o tamanho dos sensores de algumas câmeras aqui:

Canon
G10, G11, SD990 e S90: 1/1.7 " (7.60 x 5.70 mm, 0.43 cm²)
SX1, SX10, SX20, SX110, SX200, A480, A1100, A2100, SD880, SD780, SD1200, SD940 e SD980: 1/2.3 " (6.16 x 4.62 mm, 0.28 cm²)
SX120 e SD1100: 1/2.5 " (5.75 x 4.31 mm, 0.24 cm²)

Casio 
FH20, FH100, FS10, H10, G1, Z90 e Z33: 1/2.3 " (6.16 x 4.62 mm, 0.28 cm²)
Z29: 1/2.5 " (5.75 x 4.31 mm, 0.24 cm²) 

Fuji
F200EXR e S200EXR: 1/1.6 " (7.78 x 5.83 mm, 0.45 cm²)
F70EXR: 1/2 " (6.40 x 4.80 mm, 0.3 cm²)
A150, S1500, S2000HD, Z30, Z33, Z300 e J30: 1/2.3 "(6.16 x 4.62 mm, 0.28 cm²) 

Kodak 
Z1485: 1/1.72 " (7.40 x 5.55 mm, 0.41 cm²)
Z980, M341, M381 e Z950: 1/2.33 " (6.13 x 4.60 mm, 0.28 cm²)
M340, M380 e Z915: 1/2.3 "(6.16 x 4.62 mm, 0.28 cm²)
C140 e M320: 1/2.5 " (5.75 x 4.31 mm, 0.24 cm²)

Nikon 
S230, S70 e S570: 1/2.3 "(6.16 x 4.62 mm, 0.28 cm²)
L100, L20, P90, S620, S220, S630 e S640 : 1/2.33 " (6.13 x 4.60 mm, 0.28 cm²)
L19:  1/2.5 " (5.75 x 4.31 mm, 0.24 cm²)

Olympus 
Stylus Tough 6000, FE5020, FE5030 e FE4000: 1/2.3 " (6.16 x 4.62 mm, 0.28 cm²)
SP560, 550WP, FE5000, FE5100, Stylus 7000 e Stylus Tough 8000: 1/2.33 " (6.13 x 4.60 mm, 0.28 cm²)

Panasonic 
LX3: 1/1.6 " (7.78 x 5.83 mm, 0.45 cm²)
FX150: 1/1.72 " (7.40 x 5.55 mm, 0.41 cm²)
FZ28, FZ35, ZS3, ZR1, TS1 e FS12: 1/2.33 " (6.13 x 4.60 mm, 0.28 cm²)
FS6, FS7, FS62, FS42 e ZS1: 1/2.5 " (5.75 x 4.31 mm, 0.24 cm²)

Samsung
WB500, WB550, WB1000, WB5000, ES55, ES15, SL202, ST500 e ST550:  1/2.33 " (6.13 x 4.60 mm, 0.28 cm²)
PL10 e ST10 :  1/2.5 " (5.75 x 4.31 mm, 0.24 cm²)

Sony 
S930, W220, W230, W290, T90, T900 e H20: 1/2.3 " (6.16 x 4.62 mm, 0.28 cm²)
HX1, TX1 e WX1: 1/2.4 " (o site da Sony não informa as medidas)


 
Pequena gigante: A Panasonic LX3 tem o maior sensor das compactas ainda vendidas no Brasil

   Distância focal

      Entenda os números que estão na lente da sua câmera, vou dar um exemplo da minha Canon A700:

 

   5.8-34.8mm é a distância focal que é a distância entre o centro óptico e o seu sensor medida em milímetros porém o fabricante informa que a distância focal é de 35-210mm, vamos entender o porque disso.
   Se dividirmos 34.8 por 5.8 ou 210 por 35, o total vai dar 6 que é o zoom óptico que a minha câmera possui, ou seja, 35 é a distância mínima entre o sensor e o centro óptico e 210 é a distância mínima. Essa conversão de 5.8-34.8 para 35-210 é conseguida através da equivalência a 35mm pois essa é a distância focal das antigas câmeras de filme. Apenas a título de curiosidade, não é necessário fazer esses cálculos pois  os sites de reviews de fotografia já trazem tudo prontinho para a gente, é preciso dividir a largura do filme (35) pela largura do sensor da câmera (5.75) e depois multiplicar pela distância focal (5.8).

35/5.75 = aproximadamente 6.08 x 5.8 = 35,264, aproximadamente os 35 da distância focal informada pelo fabricante.

   Uma outra câmera que tenho, a SX1 possui distância focal de 5.0-100.0, fazendo o cálculo de equivalência a 35mm teremos: 35/6.16 = aproximadamente 5,68 x5 = 28,4, aproximadamente os 28 que o fabricante informa e já que o zoom dela é de 20x, a distância focal fica em 28-560.

   Cálculos complicados e desnecessários, apenas para satisfazer uma curiosidade minha e dos colegas que acessarem o blog. Não façam em casa rsrsrs...

   No próximo post falo um pouquinho sobre os outros números que vem na lente, a abertura e mais dicas para escolher a sua câmera.



22 de janeiro de 2010

Maior resolução = Maior qualidade...será?



    A maioria das pessoas quando vê um anúncio de jornal com duas câmeras diferentes sendo vendidas ao mesmo preço pensa assim: Ah, mas essa aqui tem 12 megapixels, a outra só tem 8 e tá o mesmo preço, quem vai ser idiota de comprar a outra? Certo? Errado! Hoje a guerra dos megapixels enche os bolsos das fabricantes mais populares e prejudica o usuário que deseja ter uma qualidade melhor nas suas fotos.
   Existe um componente que se não é o principal, é um dos mais importantes: O sensor. É ele quem literalmente faz as fotos, é o cérebro da câmera enquanto a lente seriam os olhos. É uma estrutura minúscula que capta a luz e a transforma em imagem e a resolução precisa acompanhar o tamanho do sensor, se isso não acontecer acarreta em uma perda de qualidade que eu vou tentar exemplificar agora.
O "famoso" sensor



   A Canon lançou a câmera SX110 em 2008 com uma resolução de 9 megapixels e um ano depois lançou sua sucessora SX120 com 10 megapixels, logo de primeira você acharia que a SX120 é a melhor mas para essa maior resolução se transformar em mais qualidade, o sensor dela também deveria ser maior que o da SX110 mas não é o que acontece, as duas usam o mesmo sensor de 0,24cm² (eu falei que era minúsculo) e ele não suporta os 10 megapixels da SX120 com a mesma qualidade dos 9 mp da sua antecessora SX110. Um pouco confuso ainda? Não faz mal, hoje em dia a guerra dos megapixels está se tornando tão absurda que me arrisco a dizer por conta própria: Em se tratando de câmeras compactas, quanto menos megapixels a câmera tiver, melhor será a câmera.

Canon SX110: Exemplo de câmera com ótima resolução sem perda de qualidade


   A relação entre tamanho do sensor e resolução é chamada de densidade de megapixels e é um item muito importante a ser levado em conta na hora de comprar uma câmera porém, não é uma informação que os fabricantes divulgam na hora da propaganda, aliás, resolução é talvez o último item a ser avaliado na hora de escolher seu equipamento. Importante ressaltar que não existe uma margem segura de densidade de megapixels mas eu considero que até 35MP/cm² esteja de bom tamanho, pra facilitar, hoje em dia câmeras de até 9 megapixels tem grande possibilidade de estar dentro dessa margem, algumas de 10 mp das grandes fabricantes provavelmente estão (Como Canon, Nikon, Sony, Olympus) e acima de 10 mp muito dificilmente terão uma resolução compatível com o sensor. Esse assunto parece um pouco confuso mas sempre que for preciso retornarei a ele pra esclarecer melhor isso.
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